quarta-feira, 20 de julho de 2011

O parque.



   Acordei mais uma vez com aquela sensação ruim, aquele aperto no peito que eu não sei explicar. Talvez seja saudade, talvez carência, talvez seja falta de atenção, talvez seja tudo, ou talvez não. Não importa o que é agora, só sei que é ruim. E do que é ruim eu quero distância! Resolvi dar uma volta no parque pra esfriar a cabeça, e, quanto mais eu andava, mais eu pensava nisso, e mais me machucava. Não resolveu, mas tudo bem, sou teimoso. - Essa volta no parque há de me curar!
   Então no dia seguinte, fui dar outra volta no parque, e novamente bateu aquela sensação de ansiedade que há anos eu não sentia. Jurei pra mim mesmo que nunca mais ia me sentir assim, mas no momento parecia ser inevitável. Passei dias e dias indo ao parque, incansavelmente, na insistência de que isso ia resolver minha angústia. Pouco a pouco fui me desintoxicando e deixando essa maldita dependência de lado. A amargura foi passando, os dias foram ficando menos nublados e eu já estava até gostando de passear no parque. Comecei a reparar nos cães passeando com seus donos, nas crianças se lambuzando com sorvete e nas velhinhas que iam no parque só para matar o tempo, assim como eu. O ar puro começou a encher meus pulmões. Meus olhos já não suavam mais, meu coração deixou de palpitar e meu cérebro deixou de me atormentar com as suas armadilhas. Enfim estava curado.

E, novamente, jurei em falso...

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